quinta-feira, 5 de abril de 2018

Livro do dia: De Lisboa a La Lys

Nós começámos relativamente bem. Tivemos uma primeira dinastia competente, em geral. A segunda também não esteve mal e mesmo D.Sebastião foi mais competente do que se diz por aí. A desgraça veio depois. A terceira não conta, a quarta foi uma tristeza, salvo raras excepções. Mas, também, a partir de 1820 não se podia pedir muito. O constitucionalismo deu cabo do que restava.
 Portanto, o maior problema de Portugal reside nas elites miseráveis que temos tido desde há 200 anos, pelo menos. Houve uma interrupção durante o Estado Novo, mas Salazar não era português, num certo sentido. Era uma excepção que nos tocou em sorte. A dimensão miserável das elites ficou bem patente na Primeira Guerra Mundial e na saga do CEP. Um corpo expedicionário preparado à pressa, deficientemente comandado, com oficiais incompetentes e uma logística periclitante. Junte-se a isto a turbulência provocada pelas lutas partidárias e que se reflectiam em França, no terreno. Também por aqui vemos, mais uma vez, a acção nefasta que os partidos políticos têm exercido no país. O CEP foi fruto da vontade republicano-democrática. Tendo a república começado mal, os seus frutos só podiam ser amargos. No meio disto tudo quem teve menos culpas foram os soldados no terreno que, mesmo assim, não ficaram muito bem na fotografia numas quantas ocasiões.
 Enfim, La Lys foi o culminar de um processo de decadência iniciado muito antes e que nos custou mais de 400 mortos, outras tantas centenas de feridos e quase 7000 prisioneiros. Com os cumprimentos da república e da seita de Afonso Costa.
 Edição deste ano, Dom Quixote.

De Lisboa a La Lys

2 comentários:

  1. E qual "cereja no topo desgraçado bolo" tivemos depois o abrilismo https://crimedigoeu.wordpress.com/2012/04/25/grupo-bilderberg-conspirou-25-de-abril-de-1974/

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    1. Ah, pois, essa data maravilhosa veio compor ainda mais o ramalhete.

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