terça-feira, 10 de abril de 2018

Conselho aos militantes da área nacional

"... não sei se a coerência a qualquer preço será a mais louvável das virtudes humanas".- Czeslaw Milosz, A mente Aprisionada, Amadora, Cavalo de Ferro,2018.

 Há momentos em que é necessário transigir, abdicar do acessório para salvaguardar o essencial. Dar um passo atrás para conseguir dois em frente. Isso é percebido pelos grandes líderes. Por Salazar, Mussolini, Lenine e outros. Nenhum deles chegou ao poder, nenhum deles o manteve sem estabelecer acordos, sem avanços e recuos, sem negociações. Nenhum deles se manteve cego a um princípio absoluto. Fosse assim e não tinham chegado a lado algum.
 Isto é tanto mais válido quanto é certo que o nosso mundo não é o dos anos trinta. Hitler? Mussolini? Salazar? Dollfuss? a Europa de hoje é diferente, os problemas são novos, as respostas são outras. Se alguém pensa que é possível edificar um novo Reich, um Estado Novo, etc, não percebe nada do assunto. Não percebe nada de História, Política, Estratégia.
 Coerência? Lenine abandonou os princípios fundamentais quando colocou em prática a Nova Política Económica. Contra a opinião de muitos. Salvou a revolução e o estado soviético, graças a isso.
 Coerência? Mussolini negociou com sectores burgueses, militares, o que lhe permitiu a ascensão e a manutenção do poder, mesmo contra a opinião de sectores mais radicais.
 A coerência é excelente, quando se ajusta às circunstâncias. São elas que devem determinar, em grande medida, a acção política. Perceber isso é difícil? talvez por essa razão tenhamos tido, na área nacional, muita coerência e poucos resultados práticos. Mas, se há quem insista em ser mais capaz do que Hitler, Mussolini, Salazar, Franco, Lenine, Estaline, etc, é deixá-lo com essa certeza.

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