sexta-feira, 16 de março de 2018

Medo

Leio no jornal que Cate Blanchett anda a fazer um tratamento para rejuvenescimento do rosto, recorrendo a células embrionárias de bebés coreanos. Parece não ser a primeira actriz a fazê-lo. Não sei se sinta pena se desprezo por esta gente. São os órfãos da pós-modernidade. Perderam Deus e a Verdade, ganharam a parafernália new age, a ilusão do progresso e outros tantos ídolos que acompanham o esquecimento da essência.
 Esta é a gente que ri dos cristãos e ridiculariza o Inferno. Uma espécie de descendentes de D. H. Lawrence, embora sem o talento literário deste. E, no entanto, enganam-se, pois o cristão não receia o Inferno enquanto tal. Medo, se o há, é pelo afastamento de Deus, pela impossibilidade da contemplação. O Inferno é apenas um pormenor, na medida em que não condiciona comportamentos. Seria algo tão infame como a aposta pascaliana.
 O medo, esse, reside nestes símbolos vazios dos nossos dias. Nesta gente que vê no tempo um inimigo, um adversário que é necessário enganar a todo o custo. Desconhecem que, por muito que façam, não acrescentarão um segundo que seja aos seus dias. A eles aplica-se a frase de Lautréamont: "É belo contemplar a ruína das cidades, mas é ainda mais belo contemplar a ruína dos homens". Teria na mente as vedetas do seu tempo?

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