quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Uma visão sobre a escravatura praticada pelos portugueses

"Assim a escravatura, entre nós, tornou-se moderada. O próprio Toynbee o reconhece. O quadro patriarcal em que se inseriu nos territórios portugueses e a tendência não segregacionista, quer pela indiscriminação das relações sexuais, quer por motivos de afectividade religiosa e de política unitária, levou à humanização do tratamento dos escravos e à alforria destes.
 Se fomos dos primeiros a abolir a escravatura na generalidade, e não para ferir interesses rivais como a Grã-Bretanha, muito antes disso algumas disposições parciais (por exemplo: a carta de alforria dada por D. Manuel I aos escravos de S. Tomé e a disposição idêntica para os índios do Brasil no tempo do Marquês de Pombal). O padre António Vieira, pensador lusíada por excelência, é decerto o mais estreme procurador do movimento antiescravista democrata.
 Contamo-nos também na primeira linha dos que baniram a pena de morte- coisa que soberbas nações, tão ciosas de comandos mundiais, ainda não fizeram. Orgulham-seda sua colossal engenharia,do poder económico e militar, da mecanização generalizada,sem que tenham conseguido institucionalizar um princípio básico em civilização que se diga cristã ou pelo menos humana."- F. da Cunha Leão, Ensaio de Psicologia Portuguesa, p.83-84, Lisboa, Guimarães, 1997.

4 comentários:

  1. Discordo em absoluto deste texto. Nem a escravatura, nem a pena-de-morte são anti-católicas. Pelo contrário, temos provas doutrinais e documentais em defesa tanto da escravatura como da pena-de-morte. O problema é que a partir do iluminismo se começaram a introduzir erros de conceito. Por exemplo, usa-se hoje o conceito de escravatura como sinónimo de maus-tratos, sendo que escravatura não é uma forma de tratamento, mas sim um estado ou condição social, independentemente de o escravo ser bem ou mal tratado.

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    1. A pena de morte pode ser justificável. A escravatura é indefensável e pouco me interessa se há provas doutrinais em seu favor ou não. É algo inqualificável, independentemente de ser ou não simples condição.

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    2. Pois, mas isso é porque temos crenças diferentes. Por exemplo, eu não creio na igualdade universal, nem nos Direitos do Homem, nem que a hierarquia social seja um mal, etc.
      Mas, claro, isto não significa que hoje devesse existir escravatura. Pelo contrário, acho que não existem condições normais para se praticar a escravatura sem a tornar um abuso.

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