sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Os 120 dias de Sodoma, tesouro nacional

A informação vem no último número da JN História. O manuscrito dos 120 dias de Sodoma foi considerado tesouro nacional, a fim de se evitar que saia de França. Calculo que o critério artístico dos franceses já tenha conhecido melhores dias, mas enfim.
 Os 120 dias de Sodoma são uma obra absolutamente estéril. Não passam de um catálogo maçador, enumerando depravações sem fim. A literatura do género, erótico-pornográfica, pode ter momentos em que se atinge um certo humor- estou a lembrar-me, por exemplo, de Apollinaire e das suas Onze Mil Vergas, onde algumas passagens são bem conseguidas e é notória a intenção do autor em parodiar o género. Mas não é o caso, em Sade. O dito divino marquês, coitado, é fastidioso. Quer quando mergulha na pornografia quer quando se pretende filósofo. As suas digressões reflexivas são maçadoras, sem substância filosófica que se aproveite. Uma miséria, literariamente falando e em termos de ideias. No fundo, Sade é um coitado que berra contra a moral mas nunca se livrou da sua sombra. Imagino um seu contemporâneo, algures, em 1804 ou coisa parecida: "-Ó Sade, já sabemos que gostas de levar no pacote, mas deixa lá isso pá. São gostos. Não precisas é de nos maçar com milhares de páginas só para justificares o facto, certo?".

Sem comentários:

Enviar um comentário