domingo, 14 de janeiro de 2018

"Ainda não é proibido citar Lenine"

Pois não, sr. Jerónimo, pois não. Vamos lá então a isso:

"Como é que se pode fazer uma revolução sem pelotões de fuzilamento? Se pensas que podemos vencer sem execuções (...) estás completamente iludido.".

"A liberdade de expressão é um preconceito burguês,um emplastro mitigador para doenças sociais. Na república dos trabalhadores, o bem-estar económico fala mais alto que os discursos."

"Ainda não (fechamos todos os jornais), mas em breve o faremos."

As greves? "sabotagem (...), nada mais do que chantagem."

A ditadura do proletariado e a autoridade do Soviete são "uma forma mais elevada de democracia (...) a única forma de democracia".

"Para nós, não existe e não pode existir o velho sistema de moralidade e 'humanidade' inventado pela burguesia para efeito de oprimir e explorar as 'classes baixas'. A nossa moralidade é nova, a nossa humanidade é absoluta, pois apoiamo-nos sobre o ideal da destruição de toda a opressão e coerção. A nós tudo nos é permitido, porque nós somos os primeiros no mundo a erguer a espada não em nome da escravização ou da opressão de alguém, mas em nome da libertação de todos da servidão (...) Sangue? Que corra sangue, se só ele pode mudar o estandarte cinzento, branco e preto do velho mundo flibusteiro para um tom escarlate, porque só a morte total e derradeira desse velho mundo nos salvará do regresso dos antigos chacais."

"Eu não nego o terror, não subestimo as perversidades da revolução. Acontecem."

"Acreditas realmente que podemos ser vitoriosos sem o mais cruel terror revolucionário?"

"Os kulaks são inimigos raivosos do governo soviético (...) esses vampiros enriqueceram com a fome do povo. Essas aranhas engordaram à custa dos trabalhadores. Essas sanguessugas chuparam o sangue do povo trabalhador e ficaram mais ricas à medida que os trabalhadores nas cidades iam passando fome. Guerra impiedosa aos kulaks! Morte a todos eles."

E é necessário "uma guerra até à morte contra os ricos, os ociosos e os parasitas (...) (os cidadãos têm de) depurar a terra russa de toda a bicharada daninha, das pulgas miseráveis, dos percevejos ricos (...) num lugar podem encarcerar uma dúzia de homens ricos (...) noutro lugar serrão mobilizados para limpar latrinas.Num terceiro serão marcados com etiquetas amarelas (...) depois de cumprirem uma pena de prisão, para que todos saibam que são prejudiciais e possam ser vigiados. Num quarto, um em cada dez ociosos será fuzilado."

Pois é, ainda não é proibido citar Lenine. E ainda bem, para ficarmos a conhecer quem era a peça.

Nota: todas as citações são retiradas de Lenine, o Ditador de Victor Sebestyen, Lisboa, Objectiva, 2017.

2 comentários: