terça-feira, 10 de outubro de 2017

Um luxo

No filme A Estrada existe um momento no qual o pai e o filho em fuga à catástrofe encontram um velho. Jantam em redor de uma fogueira, conversam e surge a pergunta acerca da possibilidade do suicídio. A resposta do velho é clara. Pensar em suicídio seria um luxo numa altura daquelas. Mesmo - e sobretudo - num tempo assim.
 Vem isto a propósito do luxo em que vive o nacionalismo português. Juntamente com a Espanha e a Irlanda somos o único país da Europa onde não tem havido uma presença visível de nacionalistas em eleições, grandes mobilizações de massas, influência em medidas legislativas, etc.
 Temos tido muitos e diversos grupos. Alguns bastante meritórios, muitos demasiado efémeros. Entretanto continuamos separados em diferentes núcleos que mal se contactam - ou não se contactam de todo -, de costas voltadas, cada um ciente da sua verdade e superioridade. Mas esperamos resultados diferentes face a um cenário que se vai mantendo idêntico.
 Vamos vivendo no luxo enquanto podemos.

6 comentários:

  1. Já tive esperança de que as coisas mudassem, mas actualmente não me parece que isso aconteça. Olhando para o que se passou com a FN, o partido só cresceu quando abdicou de tentar conciliar os diferentes "nacionalismos" no seu seio, apostando antes na evangelização do eleitorado não-nacionalista.

    Julgo que aqui em Portugal terá de acontecer algo semelhante: os nacionalistas portugueses têm demasiados vícios para poderem abdicar deles. É preciso ir buscar outra gente, de preferência malta nova que não encare as críticas e as diferenças de opinião como uma afronta à sua existência.

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    1. Sim, assim não vamos lá. E não vejo grandes cenários de mudança. Claro que há outros factores,em especial a enorme dependência do eleitorado em relação ao estado. Mesmo assim há um potencial enorme nos abstencionistas que não tem sido aproveitado.

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    2. Caros Afonso e João, eu não quero ser pessimista, mas a verdade é que eu já pouca esperança tenho de que os nacionalistas consigam tomar o poder pela via democrática, exactamente pelo motivo que o João explicou neste seu outro poste aqui:

      http://olivrodasimagens.blogspot.pt/2017/09/mais-quatro-anos-de-destruicao-da-europa.html

      A verdade, por mais que nos custe, é essa mesmo. O "sistema" está todo blindado e aprendeu a rechaçar com total impiedade qualquer ameaça à sua existência. Como disse o João: «A "extrema-direita" nunca voltará ao poder por via eleitoral na Europa Ocidental. Permite-se-lhe que vá até onde os mestres entenderem que pode ir.»

      Com eleições nunca vamos conseguir chegar lá, aliás, é isso mesmo que o "sistema" quer. Que o pessoal ande entretido de eleição em eleição e assim vamos adiando o nosso futuro a cada quatro anos, sempre com a conversa estafada do "pode ser que na próxima eleição consigamos...". Como é claramente nítido, quem vence sempre assim é o "sistema" que vai ganhando tempo e conta com o rápido envelhecimento demográfico da população europeia, associado à imigração em massa, como meios para nos travar definitivamente nas urnas. Ora, a partir daqui saímos do campo ideológico e entramos no campo da matemática e da estatística, pois é de uma questão de números que se trata. Todos sabemos que a cada quatro anos que passam, aumenta o número de eleitores alógenos e com isso diminuem drasticamente as já poucas hipóteses que os nacionalistas têm de poder conquistar o poder pela via eleitoral.

      Peço desculpa pelo meu pessimismo, mas julgo que independentemente das nossas diferenças, pelo menos neste ponto que eu acabei de descrever podemos todos concordar. Não digo que seja impossível vencer o "sistema" pela via dita "democrática", mas a verdade é que a traição de Trump desanimou-me profundamente e deitou-me abaixo muitas esperanças que eu tinha.

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    3. Totalmente de acordo, também creio que não há futuro a nível eleitoral. Como as forças armadas europeias pertencem ao sistema também não é de esperar nenhum pronunciamento. Portanto, o futuro é negro para a Europa Ocidental. Esperemos que o Leste aprenda com o que vê passar-se aqui.

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    4. Confesso caro João, que ainda tenho esperança de que o Leste um dia destes apoie uma sublevação armada por cá, tal como a Rússia fez no Leste da Ucrânia. Nós não vamos conseguir derrotar o actual "sistema" sem apoio militar externo em armas, munições e inteligência. Como os exércitos da Europa Ocidental são relativamente fracos, eu acredito que até nem é preciso muito para se tomar o poder pela via armada. O que é preciso, isso sim, é apoio externo, pois sem isso estamos tramados...

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    5. Mas isso teria de ser global, até porque qualquer golpe isolado teria de enfrentar depois a hostilidade dos donos da Europa.Foi o que vimos em 2000, quando não descansaram enquanto não derrubaram o governo austríaco do qual fazia parte o FPO do posteriormente acidentado Haider...por mim já me dou por contente se o Leste resistir e mantiver a chama. Do Ocidente já não espero grande coisa, isto está tudo minado. Talvez uma catástrofe global alterasse o rumo disto, não sei...

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