segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Roedores

Em Janeiro de 1918 Lenine proclamava a necessidade de "limpar a terra russa de todos os insectos nocivos". Entre outras soluções de "limpeza" propunha-se "fuzilar os parasitas".
Vem isto a propósito das reacções de alguns anti-racistas/fascistas/colonialistas/etc a propósito da presença de elementos da Portugueses Primeiro e do Escudo Identitário em defesa da estátua do padre António Vieira. Referem a existência de "ratos" que saem da toca, de "ratazanas" e outros que tais.
Esta linguagem não é nova nem inocente. Entronca directamente em Lenine e naqueles que se propuseram edificar um admirável mundo novo sobre as ruínas da velha ordem.
Descaracterizar, desumanizar o oponente reduzindo-o a uma dimensão não-humana é uma velha táctica dos totalitarismos. Menorizando o adversário torna-se mais fácil a sua eliminação física. Quem está ao nível do rato facilmente é erradicável.
Não deixa de ser curiosa esta manutenção de uma linguagem centenária por parte de quem se arvora do progresso. Afinal, parece que existem tradições a manter quando dão jeito.
Também não deixa de ser curiosa a manutenção da redução do homem à dimensão animal quando vivemos no tempo em que a defesa dos ditos é uma das bandeiras do chamado progressismo. Sinal de que há também nessa bandeira muito de conveniência.
Retenhamos, pois, o essencial. Reduzir o oponente a uma tal proporção é sinónimo de desumanização - passo fundamental no processo de construção do edifício totalitário no qual só cabem os puros.

2 comentários: