sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Refazer a História

A história resume-se assim: um grupo de indivíduos ligado à extrema-esquerda, sob o guarda-chuva de uma das inúmeras associações-satélite daquela, decidiu levar a cabo uma acção de protesto contra a escravatura, o colonialismo, o racismo e por aí fora e não encontrou melhor do que fazê-lo junto à estátua do Padre António Vieira. Aí chegados depararam-se com um grupo de portugueses de facto (e não de papel passado) disposto a defender a história e a memória, conceitos que pouco dizem à extrema-esquerda, excepto em se tratando de os manipular.
 Desanimados por não lhes ter corrido a encenação como previsto, os garbosos e garbosas anti-racistas retiraram-se dispostos a carpir mágoas. Fizeram-no com a ajuda prestimosa do Diário de Notícias, Público e outros supostos órgão de informação, sabido que é como hoje em dia um jornalista deve empunhar também a espada da justiça social.
 Assim, ficamos a saber que o simpático grupo de anti-colonialistas chegou a ser cercado por "neonazis" (imprensa dixit) perante a impassibilidade dos agentes policiais presentes (pois visto não estarmos na União Soviética, de saudosa memória para os anti-qualquer coisa, o direito à manifestação ainda não é exclusivo da extrema-esquerda), que talvez devessem ter detido ou mesmo espancado os elementos da Portugueses Primeiro e do Escudo Identitário.
 Folclore à parte, o que se passou foi um episódio numa novela que começou há muito e tem sido escrita pela extrema-esquerda. Chama-se Refazer a História.
 Desde o camarada Lenine em diante a narrativa tem vindo a ser refeita. O fenómeno não foi, ao contrário do que se possa pensar, exclusivo de Estaline. O apagar de personagens em fotografias foi um pormenor, até porque tais personagens fariam o mesmo assim lhes fosse dada oportunidade.
 O controlo da narrativa é, como bem sabemos, um dos meios essenciais de controlo das mentes e das sociedades. Tem vindo a ser assegurado, desde há muito, pela extrema-esquerda. De modo desproporcionado em relação à sua verdadeira representatividade social apoderou-se do controlo das instituições, em boa parte. Faz aquilo que falaciosamente denuncia nos outros, a reprodução ideológica nas escolas, nos media e onde lhe possa ser conveniente. Apresentam-se como zeladores da memória quando dela não retêm senão elementos parcelares, episódios que se lhes ofereçam como relevantes, não se coibindo de os retocar ou mesmo falsificar despudoradamente.
 Este fenómeno da contestação dos símbolos é apenas um desses momentos. Sabemos como termina, se não lhe for posto travão.
 Começa-se por contestar a estátua do Padre António Vieira. Em seguida contesta-se outra. Depois outra, e mais outra. Pois todas são passíveis de ter cometido um crime aos olhos dos novos puritanos, mesmo que há 500 ou 1000 anos tais acções não fossem qualificadas como tal (note-se ainda que, mesmo tendo tais "crimes" sido extensivos a todos os grupos humanos os guerreiros da verdade apenas se focam num desses ramos - branco e ocidental). No final, todas as estátuas serão derrubadas. Se for caso disso substituem-se por referências devidamente autorizadas e genuinamente humanas.
 Após as estátuas seguem-se os livros. Apruma-se uma lista de publicações corruptas, de autores nefandos, de criminosos da humanidade. Expurgam-se ou queimam-se, talvez seja mais seguro. Depois passa-se ao terceiro ponto.
 Como bem sabia Heinrich Heine, quem começa por queimar livros acaba por queimar pessoas. A extrema-esquerda diz-nos que sim. Hipocritamente condena até tamanho horror. "Os nazis fizeram-no", dirão eles.
 Esquecem-se , convenientemente dos seus. E não deviam fazê-lo, pois tamanha humildade pode parecer soberba disfarçada. Afinal, nunca ninguém eliminou com tanta eficácia como a extrema-esquerda - fossem livros ou pessoas. De Lenine a Pol Pot. De Trotski a Fidel. Sempre na linha da frente do extermínio. Fossem classes, kulaks, inimigos do povo ou qualquer outra ficção criada para alimentar a máquina trituradora.
 Começaram assim, como pequenos passos. Também eles denunciavam. A opressão, a nobreza, a autocracia, o que mais lhes conviesse.
  Quiseram forçar a história, acelerar o mundo, controlar o tempo. Viram-se as consequências.
 Há quem insista em repeti-las.

2 comentários:

  1. O que tem graça é ser encabeçada por um tal Mamadou: deve ser um moamede. Moamedes que ainda hoje praticam a escravatura e assolavam as costas do mediterrâneo para capturar escravos.

    Mamadou só ouvi falar de um: trabalhava numa fábrica, tirava folgas para rezar durante os curtos períodos em que trabalhava pois grande parte do tempo passava-o de baixa (goza mais a baixa que o trabalho) e ainda vivia de dádivas de uns lorpas.

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    1. Este deve ser muçulmano, também. Ainda a praticam e mesmo a nível oficial basta ver quando a aboliram. Na Mauritânia foi em 1980. Tudo gente boa e civilizada.

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