terça-feira, 10 de outubro de 2017

poesia (CXXIV)

FANTASMAS NAS CASAS NOVAS

Há algo de assustador nos fantasmas das casas novas:
Os fantasmas das casas velhas já são maus quanto baste:
Mas os fantasmas das casas novas são terríveis.
A grande novidade destas novas e desoladas casas
Já seria bem terrível sem os fantasmas.
Mas os fantasmas também são novos.
Raparigas tristes com blusas azuis
E pessoas nos seus assados de Domingo
Sob a grande luz do dia, dentro destas casas novas
Em ruas onde os homens varrem os vidros partidos.

Malcolm Lowry, As Cantinas e Outros Poemas do Álcool e do Mar (trad. José Agostinho Baptista), Lisboa, Assírioe Alvim, 2008.

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