domingo, 13 de agosto de 2017

A actualidade da semana, by José Carlos (IV)

Em primeiro lugar não posso deixar de referir os tristes acontecimentos ocorridos na cidade da Virgínia. Como refere, e bem, o jornal de referência O Público o que se passa é sinal de que o governo federal americano tem influências nacionalistas e de extrema-direita.
 É lamentável que no século XXI ainda ocorram estas situações. Racismo, exclusão, preconceito. Os nazis que se manifestam não têm lugar numa sociedade decente. Eles não são decentes. Aproveitam-se da democracia e espalham o ódio.
 Dizem alguns que os manifestantes negros também apelas ao ódio. É falso. Mas mesmo que não fosse seria legítimo. O sofrimento negro ao longo de séculos legitima essa atitude. A escravatura na América foi uma vergonha nacional. Com Trump, o ódio regressa.
 Confirma-se o que eu, e outros na direita moderna e arejada tínhamos previsto. Com Trump é a extrema-direita que governa. A América de Kennedy, Luther King, Mandela e outros democratas está em risco.
 Tudo isto está ligado. As ameaças xenófobas dirigidas à Coreia do Norte encorajaram os racistas a irem para as ruas. Trump está a levar o país para uma deriva racista e xenófoba. Cabe aos americanos travarem-no. A impugnação e a sua substituição por Obama seria a melhor solução.
 Por falar em Obama, esta semana ficou ainda marcada por uma notícia infame acerca da filha mais velha do ex-presidente. Diz a imprensa que a jovem foi vista num concerto, aparentemente embriagada. Que os jovens se divirtam nas férias parece agora ser crime para uma imprensa repentinamente puritana. Mas, para lá disso, é de lamentar a incursão na vida privada de Obama. A privacidade tem de ser respeitada. Nós, na direita moderna e arejada, somos pela privacidade.
 Por cá, esta semana, continuou o flagelo dos incêndios. Não quero tirar qualquer aproveitamento político do facto, pelo que não me pronunciarei sobre o assunto ao contrário do que fazem alguns que se dizem de direita mas parecem andar mais perto dos tiques salazarentos do passado.
 O aumento das pensões mais baixas foi uma boa notícia da semana. Certamente seria desejável um maior aumento, mas este já é sinal de que a economia recupera e há sinais de confiança. Associada à descida do desemprego, esta notícia mostra que o país se encontra no bom caminho. Não concordo, naturalmente, com todas as políticas do governo mas sei reconhecer boas medidas quando as há. É isso que também deve distinguir a direita moderna e arejada. A vontade de fazer política séria, não a qualquer preço. Reconhecer os méritos quando os há. Porque todos queremos, apenas, o bem para o país.
 Ainda nesta semana fomos confrontados com uma polémica acerca do dr. Basílio Adolfo Horta. 5600 euros, 5.6 milhões, certo, há uma diferença significativa. Mas há também a presunção da inocência. Não podemos atacar a seriedade das pessoas por dá cá aquela palha. Não me peçam para estar na política assim, essa não é a minha maneira de ser. Reconheço o direito ao engano e parto do princípio de que quem está na política é sério e tem como objectivo primordial servir e não servir-se.
 É com júbilo que noto o encerramento do período de entrega das listas eleitorais para as autárquicas. A elevada participação é sinal de uma forte vitalidade da nossa democracia e de um grande espírito cívico. Os portugueses participam, os portugueses acreditam na democracia e nos seus políticos e políticas. É assim que nós, na direita moderna e arejada, queremos estar. Civicamente.
 Finalmente quero realçar mais uma excelente medida governativa, nesta vez na área da educação. São mais de 200 as escolas onde entrarão em vigor algumas alterações curriculares no próximo ano. O surgimento da disciplina de cidadania no início de cada ciclo é uma medida salutar. Que ela sirva para combater a exclusão, a discriminação, o racismo, a homofobia, a xenofobia e a extrema-direita é o que se pretende. O mundo é cada vez mais um só e não há lugar para extremismos de direita. Que a disciplina sirva também para alertar para alguns dos problemas mais sérios da humanidade, como o aquecimento global, os refugiados ou os direitos dos animais é algo que me merece os maiores elogios. Estamos no século XXI e não há lugar para o preconceito.
 Termino com uma palavra de louvor ao jovem que vai fazer 500 quilómetros a pé pela costa portuguesa, em apoio dos refugiados. É bonito, é cívico e é necessário. Num mundo ainda com tanto racismo e islamofobia esta iniciativa é uma pedrada no charco e um acto de grande coragem para um mundo melhor. O mundo que nós, na direita moderna e arejada, pretendemos.

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