segunda-feira, 23 de julho de 2018

Livro do dia: Propaganda e Turismo no Estado Novo

Turismo e propaganda no Estado Novo, em especial na década de quarenta. António Ferro e o seu trabalho monumental à frente do SPN/SNI e muito mais que isso. A revista Panorama, a arquitectura, a batalha pelo bom gosto, a luta pela afirmação de Portugal como destino turístico e contra a intuição de Salazar, etc, etc. Edição deste ano, da Aletheia. Vale bem o capital investido.

Propaganda e Turismo no Estado Novo

A humanidade superior

"Criar uma humanidade superior é um sonho cujo absurdo passa despercebido até que a realidade, ou outro sonho,apaga o ser imaginário... Sujeitos às características do animal humano que consideram boas, os modernos pensadores laicos acreditam que a humanidade se pode recriar numa forma que possua só essas características. A estes sublimes moralistas não lhes ocorre que nos seres humanos o bem e o mal podem estar fundidos. Ao saber poucas coisas do mundo e ao não se conhecerem a si mesmos, não são conscientes de que o bem humano não é um todo harmonioso; a tirania e a opressão podem engendrar modos de vida agradáveis e prazenteiros,enquanto que a existência de virtudes delicadas pode depender dos rasgos humanos mais sórdidos. Pode ser que erradicar o malproduza uma nova espécie, mas não a que os seus inocentes criadores têm na cabeça. Os seres conhecem-se muito pouco para serem capazes de fabricar uma versão superior de si mesmos."- John Gray, The Soul of the Marionette, Allen Lane, 2015 (ainda não há edição portuguesa, a tradução deste excerto encontra-se em João Maurício Brás, O Mundo às Avessas. 

sábado, 21 de julho de 2018

A normalidade regressa brevemente

Como os estimados e as estimadas leitores e leitoras terão reparado, o ritmo de publicações tem sido muito irregular ultimamente. Isto é derivado ao trabalho que nos deixa pouco tempo, como dizem os populares entrevistados na televisão, e a outras razões- como sejam as colaborações em outros locais internéticos. Seja como for, a regularidade nas publicações regressa brevemente. Obrigado.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Um conto húngaro

Um dos mais belos contos da literatura portuguesa contemporânea.

"Antigamente, a Hungria vivia num clima de terror. O povo era oprimido. Os homens, por exemplo, só podiam escolher Béla como nome. Assim, tínhamos Béla Lugosi (o actor), Béla Guttman (o treinador), Béla Kun (o comunista), Béla Kiss (o assassino), Béla Bártok (o compositor), Béla Tarr (o cineasta), e podíamos ficar aqui indefinidamente.
 Era uma situação que constrangia o garboso povo húngaro, mas a resistência era inútil. Pelo que tal situação, embora intolerável, continuava a arrastar-se.
 No entanto, a 25 de Abril de 1974 tudo mudou. Em Portugal, um grupo de militares revoltou-se. E quando souberam da situação convocou-se uma reunião de alto nível.
 Um senhor muito importante disse:
-Isto é inacreditável. É uma afronta ao povo húngaro e mesmo aos direitos humanos.
 Outros dois senhores assentiram com a cabeça.
-É inconcebível que em pleno século XX continuem a suceder coisas destas. Ainda por cima isto diminui um homem porque Béla é nome de gaja! (nessa altura ainda não se falava em questões de género, e o máximo que havia era um ou dois travestis).
 E todos concordaram.
 Pelo que os antifascistas portugueses fizeram um ultimato às autoridades húngaras. Quando receberam o telegrama, em Budapeste, riram-se mas acharam melhor ceder porque os russos queriam impôr o comunismo em Portugal e não convinha hostilizarem os camaradas portugueses.
 E foi assim, graças ao 25 de Abril, que os húngaros puderam escolher livremente os nomes."

domingo, 15 de julho de 2018

Lirismo

"Não pode estranhar que seja dominantemente lírico o povo português, quem tenha percorrido as diversas regiões do nosso território. O lirismo nacional é, em grande parte, consequente do amável pitoresco, da graça e do encanto que emanam os mais característicos aspectos, tanto marítimos como rurais, da nossa paisagem, coberta por um céu incomparável, afagada por um clima que talvez não seja excessivo classificar de generosamente criador."-João Leal, Panorama, 1949.

Com o plano do governo para trazer invasores para o Interior tudo será belo novamente!

"A extrema mobilidade das populações modernas, tornando-as quase ubíquas, mata pouco a pouco o velho provincianismo. E com o provincianismo, a província. Não mais os larguinhos quase desertos, onde um quiosque, ao Domingo, põe a lírica nota da banda de música e do arraial (...). A província morre na vida. No nosso coração não morrerá."- Vitorino Nemésio.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Existem dois tipos de povos

"Existem dois tipos de povos: uns são os 'povos materialistas', 'que se agitam no vácuo, que confundem levianamente revoluções com revolução', outros, no entanto, são 'povos religiosos', 'povos estóicos', 'que não se importam de sofrer desde que a grandeza exterior ou interior, não sofre abalo, desde que o seu contorno físico no mapa do Mundo não se transforme numa linha pontuada, tremida, desde que a sua alma não passe fome (...) são os povos mais ricos porque são aqueles que se alimentam de infinito."- António Ferro (1938).

Queremos um novo Mussolini!

"Enquanto Mussolini existir o feminismo não dará um passo em Itália".- António Ferro. (fonte anterior).

Mulheres de Aveiro

"As mulheres de Aveiro são no seu conjunto (digo exactamente, no seu conjunto) o melhor tipo físico da portuguesa. A sua maneira de andar (que já o notou numa Rainha) é impressionante: uma graça antiquíssima vivida pelos nossos olhos dentro (...). Aveiro dá-nos a impressão, à qual não podemos fugir, de ser a nascente natural da semente portuguesa". - Almada Negreiros, 1941 (fonte anterior).

Crianças do nosso povo

"As crianças do nosso povo têm expressões definidas, modos típicos, traços fisionómicos distintos. (...) Não é preciso ser etnógrafo ou iniciado nos mistérios da frenologia; basta estar atento e saber distinguir essa imponderável mas apreensível combinação de humildade e orgulho, timidez e audácia, acanhamento e naturalidade que lhes assoma aos olhos e se expande nos gestos, nos sorrisos, nas atitudes, timbrando de enternecedora graça a gravidade sensível da sua presença."- O Ferreira, revista Panorama (1943) in Victorino, Propaganda e Turismo no Estado Novo, Lisboa, Aletheia, 2018.